Friday, April 27, 2007

Astronomia na Antiguidade

A Astronomia, uma das ciências mais antigas, surgiu a partir dos esforços feitos por sucessivas gerações de pessoas que procuraram, ao longo dos séculos, interpretar o espectáculo maravilhoso e intrigante que o céu lhes proporcionava.
Começou por ser fundamentalmente utilitária e as suas aplicações destinavam-se a satisfazer as necessidades urgentes da humanidade: para a agricultura, base da subsistência, era vital determinar o início das estações do ano, prevendo as épocas mais adequadas para as sementeiras; as cerimónias e rituais religiosos tinham de ser realizados em épocas próprias.
A Astronomia foi também indispensável à navegação longe das costas, permitindo aos navegadores o conhecimento das suas posições no mar e a determinação dos rumos a seguir: sem ela, os descobrimentos não teriam sido possíveis e o Homem dificilmente se teria aventurado a cruzar os oceanos.
Durante o século XVIII, a Astronomia, conciliando observações e teorias, atingiu uma fase evolutiva que permitia explicar o que se observava e prever acontecimentos futuros.
Essa aventura do conhecimento, iniciada há milénios, ainda hoje continua: nas últimas décadas nenhuma outra ciência fez um progresso comparável ao da Astronomia.

88.Raposa

Características da constelação:

Vulpécula, a Raposa, é uma das constelações inventadas por Johannes Hevelius, introduzida no seu catálogo estelar póstumo em 1690 (ver “Lagarto” para mais comentários sobre Hevelius). O asterismo parece-se mais com uma gaivota a voar vista de face. A constelação era originalmente chamada Vulpecula cum Anser, “A Raposa e o Ganso”. É uma constelação ténue, com as suas estrelas estando em maioria por volta das 4ª e 5ª magnitudes. Raposa tem alguns objectos de céu profundo de interesse: um binário, um par de variáveis, e até um objecto de Messier.

87.Peixe Voador

Características da constelação:

Peixe voador é uma daquelas constelações introduzidas por Johann Bayer no seu mapa estelar de 1603. Chamou-lhe Piscis Volans. O asterismo mostra uma vista lateral de um peixe-voador (mais ou menos). É uma das constelações em que alpha não é a estrela mais brilhante, beta Volans é ligeiramente mais, e outras três estrelas são mais brilhantes que alpha Vol. Peixe voador tem muito poucas atracções para o amador; dois binários razoáveis e uma galáxia ténue.

86.Virgem

Características da constelação:

Virgem é a segunda maior constelação (a seguir a Hidra). Como membro do zodíaco, Virgem tem um grande número de mitos antigos e contos. Alpha Virginis é conhecida como Espiga: o “ouvido do trigo” que a deusa transporta. Espiga é um binário eclipsante azul-esbranquiçado com um período de mais ou menos 4 dias. A estrela tem o dobro do tamanho do Sol, mas com uma luminosidade 2000 vezes maior. Gamma Virginis tem o nome do deus Romano da profecia: Porrima. Porrima é um binário notável que duas estrelas gémeas. Encontra-se a 32.9 anos-luz de distância e tem um diâmetro de 1.5 Sóis.


História da constelação:

Virgem é muitas vezes representada como uma “ama”. Na Antiguidade, pode ou não ter sido Ísis, a deusa egípcia, protectora dos vivos e dos mortos, e a deusa-mãe principal. Também foi Ishtar, da civilização Suméria-Caldeia, ou “Inanna”, que significa Rainha do Céu. Inanna é descrita como uma deusa do amor ambiciosa, agressiva e exigente. No tempo dos Romanos, a deusa Ceres era aqui representada: a deusa do crescimento das plantas comestíveis e das culturas, particularmente milho. O seu festival era na segunda semana de Abril, à mesma altura em que a constelação aparecia nos céus da Primavera. Os Romanos simplesmente adoptaram uma deusa grega mais antiga, Demeter. Esta deusa da agricultura nasceu em berço de ouro: filha de Cronus e Rhea, era a irmã de Zeus. Como prova da sua longevidade no folclore grego, o seu nome foi encontrado numa tábua encontrada em Pylos que data do século XIII AC. Demeter foi descrita por Homero como “ter-se deitado com Iasion num campo areado”, no qual resultou o nascimento de Plutus, nome que significa “riqueza dos solos” (talvez “cornucópia” seja uma boa descrição). A deusa era descrita, tal como agora, carregando um joio de trigo. Mas a sua influência não está apenas ligada aos cereais, mas também a todos os outros cultivos. Sendo assim, não é de surpreender que seja também a deusa da saúde, dos nascimentos e dos casamentos. Uma cerimónia em sua honra na Grécia antiga era chamada Proarktouria, o que indica que as festividades tinham início antes do nascimento de Arcturo. No entanto o nome pode fazer referência à constelação de Virgem, que nasce de facto antes de Arcturo.

Sunday, March 18, 2007

85.Vela


Características da constelação:

Tal como mencionado em “Quilha”, Jasão e os Argonautas navegaram a bordo do Argo Navis em ordem a capturar o Tosão Dourado. A constelação que comemorou esta aventura está agora partida em três: a Quilha, a Popa, e a Vela. As estrelas que constituem a vela estão dispersas. Alguns mapas estelares adicionam mais umas quantas estrelas em ordem a fazer a vela maior. Por vezes os observadores associam as estrelas da parte de baixo, kappa Velorum e delta Velorum, com iota Carinae e epsilon Carinae, e pensam que estão a ver o Cruzeiro do Sul. O verdadeiro Cruzeiro do Sul encontra-se na constelação vizinha de “Crux”; esta cruz partilhada por Vela e Quilha tem o nome de Falsa Cruz. Embora Vela não seja uma constelação nada especial, tem um número de bons objectos, incluíndo a estrela Wolf-Rayer mais brilhante, um pulsar óptico, e uma variável pulsante que é o protótipo de uma classe de cefeida.

84.Ursa Menor


Características da constelação:

Ursa Menor é uma versão mais pequena e ténue da Ursa Maior, e é o lar da Estrela Polar. A constelação data da Antiguidade, e pensa-se que tenha sido introduzida pelo filósofo grego Thales por volta de 600 AC. Desde que o Homem navega no mar que a Polar tem sido uma guia essencial. No entanto a Estrela Polar não é, como muita gente pensa, constante, mas muda gradualmente em cada alguns milhares de anos. O eixo da Terra move-se muito lentamente, completando um círculo em cada 25 mil e 800 anos. Durante este “ciclo precessional” algumas estrelas tomaram a vez de ser a Polar. A estrela polar actual, alpha Ursae Minoris, estará mais perto do pólo em 2102, altura em que estará a 27’31” do Pólo Norte. No entanto, beta UMi (Kochab), a estrela mais brilhante da constelação, está às vezes mais próxima do pólo que alpha, tal como era há 3000 anos atrás. A estrela polar mais brilhante é Vega (alpha Lyrae), que irá assumir a sua posição daqui a 12 mil anos. Outra estrela que periodicamente se torna na Polar é Thuban (alpha Draconis), lugar que não toma há 4600 anos, altura da construção das pirâmides do Egipto. Tradicionalmente os astrónomos amadores têm usado a constelação como um guia para testar a claridade do céu nocturno. As estrelas variam entre a 2ª e 5ª magnitudes (e até 6ª); se estas últimas estrelas são visíveis, está uma boa noite para observação. Ursa Menor tem um bom binário e umas quantas variáveis.

83.Ursa Maior



Características da constelação:


Ursa Maior é uma grande constelação, a terceira maior. É mais conhecida pelo “Arado”, certamente o asterismo mais bem conhecido do céu. A constelação oferece um grande número de objectos, alguns bem conhecidos, outros nem tanto, e uma estrela que há uns anos esteve nas notícias por ter pelo menos um planeta “temperado” à volta dela. As estrelas são razoavelmente brilhantes, e muitas dispersas. Embora a constelação seja muito maior do que costumamos ver, ela estende-se mais para Sul, com xi Ursae Majoris (Alula Australis), perto de Leão e Caranguejo. A constelação em si não tem nenhuma forma memorável; apenas alguns conseguem descobrir mesmo a ursa. Sendo assim, apenas a forma do “Arado” é mais conhecido. As estrelas que o formam são 7, e seguem o alfabeto grego, o que faz com que sejam fáceis de memorizar. Além de alpha Ursa Majoris, do arado fazem parte beta, gamma, delta, epsilon, zeta e eta. Este asterismo particular tem também uma grande história, vista em muitas culturas como uma carroça. As sete estrelas não se estão a mover na mesma direcção, e ao fim de muito tempo, o asterismo irá desaparecer. Na realidade, foi há “apenas” 50 mil anos que se discerniu um bonito arado. Alpha UMa (Dubhe: a ursa), é uma gigante amarela, com cerca de 25 vezes o tamanho do Sol, e a 86 anos-luz de distância. É um pequeno binário, discutido aqui abaixo. Beta UMa chama-se Merak (virilha); gamma é Phecda (côxa), e delta é chamada Megrez (base da cauda). Estas três são estrelas idênticas, todas brancas (tipo A), e todas a 100 anos-luz de distância. Quando nos dirigimos para a cauda, encontramos primeiro epsilon Uma, uma variável tipo alpha-CV, e outra estrela branca tipo A. Chamada Alioth (que não tem tradução adequada), esta estrela é uma das mais brilhantes da constelação, embora uma das mais distantes (se formos pela sua paralaxe). As tabelas mostram uma distância de 64 anos-luz. Este número é ainda discutido e pode ser muito pequeno; a paralaxe indica uma distância de 360 anos-luz. Depois vem zeta Ursae Majoris (Mizar). Esta estrela forma um belíssimo binário com Alcor (80 UMa). Encontra-se a 69 anos-luz de acordo com a sua paralaxe, embora algumas autoridades a ponham mais longe (83 anos-luz). Finalmente temos eta Ursae Majoris, também chamada Benetnasch ou Alkaid. É uma estrela azul-esbranquiçada, um pouco mais afastada que as outras, a 95 anos-luz. Omicron Ursae Majoris é também chamada Muscida, que significa focinho, e marca de facto o nariz da ursa. Muscida tem uma ténue companheira (magnitude 15), uma estrela anã. Perto, temos a orelha da ursa, que é um pequeno grupo de estrelas, sigma1, sigma2, e rho. O binário visual sigma2 é discutido abaixo. Xi Ursae Majoris encontra-se para Sul, perfazendo um pé da ursa. Esta não é só um binário interessante, mas também um marco histórico, pois foi o primeiro binário em que a sua órbita foi calculada (em 1828).


História da constelação:

O nome "Grande Ursa" parece datar da Antiguidade, devido às suas latitudes a Norte. Apenas um prodigioso urso poderia viver em tal clima. É curioso que algumas tribos Norte-Americanas (Algonquin, Iroquois, Illinois e Narragansett, possivelmente entre outras) também associaram esta constelação com um urso gigante. Na mitologia grega, Calisto, filha do Rei Lycaon, foi eleita quando ainda era criança, para ser umas das companheiras de Artemis. Artemis era irmã de Apollo, padroeira do nascimento e protectora dos recém-nascidos e mamíferos. A única coisa que prezava acima de todas era a sua castidade; até pediu a Zeus para ter a virgindade eterna, a que ele concordou. Artemis juntou um número de jovens ninfas, a quem reflectiu os seus próprios votos de castidade, e também pediu fidelidade completa destas jovens mulheres (na realidade, raparigas). Uma delas era Calisto. Zeus tinha o hábito de seduzir jovens amas, e eventualmente chegou a Calisto. Quando Artemis descobriu que Calisto estava grávida, vingou-se. Artemis adorava caçar; mas alcançaria a sua vingança na perseguição. Então transformou Calisto numa ursa. (Lembre-se que Artemis é a mesma deusa que apanhou Actaeon a vê-la dar banho. Transformou-o num veado e lançou os seus cães em sua perseguição. Desfizeram-no em bocados) O plano de Artemis era então transformar Calisto numa ursa, perseguida e morta. Mas Zeus teve pena do seu destino, e enviou Calisto para os céus, tendo a forma de ursa. O seu filho Arcas tornar-se-ia no fundador dos Arcádios, antes de se juntar à mãe nos céus como a Ursa Menor.