Thursday, February 15, 2007

23.Compasso


Características da constelação:

O Compasso é uma das constelações de Nicolas Louis de Lacaille. Chamou-lhe de “Pyxis Nautica” (a Caixa Náutica, ou o Compasso do Marinheiro). As estrelas da constelação variam entre a 3ª e 5ª magnitudes.

22.Camaleão


Características da constelação:

Camaleão é uma das doze constelações introduzidas por Johann Bayer em 1603 no seu atlas astronómico Uranometria. Como muitos das outras, Camaleão encontra-se muito a Sul. De facto, as suas estrelas são circumpolares para os residentes do Hemisfério Sul. O asterismo supostamente representa um camaleão. Existem apenas um punhado de estrelas de Bayer, e estas são geralmente de 4ª e 5ª magnitudes. Existem um par de binários, um variável tipo Mira, e um objecto de céu profundo de interesse.

21.Baleia


Característica da constelação:

Embora Cetus seja supostamente uma baleia, na Antiguidade a constelação era considerada o monstro prestes a devorar Andrómeda antes que Perseu aparecesse para a salvar. Johann Bayer, por exemplo, incorporou esta ideia na sua descrição do monstro - um monstro com dentes muito afastado da ideia de um pacífico beluga ou de uma orca. De facto, existem muitas histórias de monstros marinhos nas culturas mais antigas, tais como o Tiamat, o dragão babilónio que representava o princípio feminino do Caos. Sendo assim não é surpresa que algumas das maiores constelações se refiram a outros animais míticos (Dragão, Serpente, Hidra e Cetus). As estrelas de Baleia são ténues, mas existem umas quantas bem conhecidas. Tais como UV Ceti, que é na realidade um par de anãs vermelhas a 9 anos-luz de distância, e Mira (omicron Ceti) - talvez o variável mais famoso .

20.Cefeu



Características da constelação:


Embora não muito brilhante, a constelação é mesmo assim muito fácil de identificar, situando-se a Oeste de Cassiopeia. As estrelas são na maioria de 3ª ou 4ª magnitude. A constelação tem numerosos binários, alguns bons binários, e uns quantos objectos do céu profundo interessantes. Alpha Cephei é conhecida como Alderamin ("O Ombro Direito"). Daqui a 5500 anos esta estrela irá tornar-se a Estrela Polar. Beta Cephei é chamada Alfirk ("A Manada"). É um binário visual e também uma variável. Gamma Cephei é Er Rai (Pastor). Antes de Aldemarin se tornar a Estrela Polar, esta vai assumir este título (4000 DC). Delta Cephei é um protótipo de um dos mais importantes tipos de variáveis. A estrela também é um bonito binário com contraste de cor. Mu Cephei é uma estrela colorida e brilhante, de um vermelho profundo que levou William Herschel a chamá-la "A Estrela Pedra Preciosa". A cor depende do tamanho do telescópio; os maiores vêem-na com uma cor laranja. É também uma variável semi-regular.


História da constelação:


Cefeu é o nome de dois reis mitológicos. Um era o filho de Aleus, de Arcadia. Tornar-se-ia no rei de Tegea (uma comunidade na península de Peloponeso), teria mais de 20 filhos, e partiria com Jasão como um Argonauta. O outro Cefeu era o filho de Belus, rei do Egipto (que era filho de Poseídon). Este Cefeu cresceu para se tornar o rei da Etiópia (ou Joppa). Casou com Cassiopeia e tiveram uma filha chamada Andrómeda (sim, toda a família eventualmente acaba nos céus). Cassiopeia era incrivelmente bela mas muito vaidosa. Também se orgulhava da beleza da sua filha. De facto ela gabava-se que as duas eram muito mais bonitas que as 50 ninfas que estavam na corte de Poseídon. Estas ninfas (as Nereidas) queixaram-se a Poseídon, que achou que devia defender a sua reputação. Então mandou uma cheia para devastar o reino de Cefeu. Os oráculos disseram a Cefeu que em ordem a salvar o seu povo ele deveria sacrificar a sua filha a um grande monstro do mar: Andrómeda foi atada a uma rocha na costa, apenas vestida com as suas jóias. O monstro chegaria dentro de um certo tempo para levar o seu prémio. Naquele momento Perseu apareceu. Tinha acabado de matar a Medusa Gorgon e trazia a sua cabeça para Atenas. Medusa era uma das três irmãs Gorgones. Tinham sido muito belas mas Medusa dormiu uma noite com Poseídon no templo de Atenas. Isto enfureceu tanto Atenas que tornou os cabelos da Medusa em cobras e a tornou num terrível monstro com grandes dentes e garras. Apenas um olhar da Medusa tornaria qualquer pessoa em pedra. Com a ajuda de Atenas, a inimiga mortal da Medusa, Perseu enganou a Medusa pondo-a a olhar para o seu reflexo. Depois cortou a sua cabeça (Pégaso e um guerreiro chamado Chrysaor formaram-se do corpo morto da Medusa). Perseu chega então ao local do sacrifício e conversa com Cefeu e Cassiopeia; acorda-se que se Perseu salvar a sua filha, pode casar com ela. Então ele voa por cima das águas e a sombra que ele provoca confunde o monstro, que Perseu mata. Felicíssimos, Cefeu e Cassiopeia tentam impedir que a sua filha case com Perseu. No entanto Andrómeda resiste, e a cerimónia é realizada mesmo ali no local. A meio da cerimónia Agenor, um familiar, aparece e reclama Andrómeda como sua noiva. Isto irrita Perseu, o que dá origem a uma grande batalha. No entanto, Perseu, que estava em desvantagem, não teve remédio senão usar a cabeça da Medusa, e torna toda a gente em pedra, incluindo os pais de Andrómeda. Poseídon põe então Cefeu e Andrómeda nos céus, mas com uma reviravolta: pôs a vaidosa Cassiopeia andar à volta da sua cadeira, ficando de cabeça para baixo metade do ano. A Cefeu, Poseídon deu-lhe um número de estrelas médias.

19.Centauro



Características da constelação:


Centauro é uma das maiores constelações com um asterisma claramente visível: a grande forma aponta para este, com uma espada aponta para Lobo a Oeste. Os pés são formados por duas estrelas brilhantes: alpha e beta Centauri, também conhecidas pelos nomes árabes de Wazn e Hadar. Alpha Centauri é melhor conhecida como "Rigil Kentaurus", ou o pé de Centauro. É um sistema triplo, três estrelas que são as mais próximas do nosso Sol. Alpha1 e Alpha2 formam um binário. Ficam a 4.393 anos-luz, e são aproximadamente do tamanho do Sol. A estrela mais próxima é na realidade alphaC, conhecida como Proxima Centauri. É uma anã vermelha com uma magnitude visual de 11.01 e uma distância de 4.221 anos-luz. A estrela tem um diâmetro de 65000 km, cinco vezes o tamanho da Terra. Fica a uma grande distância das outras duas (quase a 1/6 de um ano-luz) e o período orbital estima-se em centenas de milhares de anos. Proxima Centauri cintila com luz irregular, e é considerada como variável. Beta Centauri (Hadar) é a décima estrela mais brilhante dos céus, com uma magnitude de 0.61 (que é na realidade o valor combinado de dois componentes). Fica a 525 anos-luz de distância e é um binário difícil de ser ver.


História da constelação:
Centauro é uma das constelações que lida com os Trabalhos de Hércules. No seu quarto Trabalho, a missão de Hércules era de trazer um violento javali que trazia a morte e a destruição aos habitantes de parte norte da Península de Peloponésio. No seu caminho, ele pára para visitar um seu amigo, um centauro chamado Pholus. Os centauros eram metado homens, metade cavalos, que descendiam de Ixion e Nephele (que era de facto uma nuvem, formada por Zeus em ordem a se parecer com a sua mulher Hera). Centauros aparecem em muitos mitos gregos, mas ficam apenas na periferia das fábulas Gregas. Quando Hércules termina a sua refeição oferecida por Pholus, ele depois tem o descaramento de abrir o barril de vinho privado dos Centauros, apenas para eles. O resto dos centauros capta o cheiro do seu vinho, e ficam irritados. Então agarram em grandes pedras, arrancando árvores para serem usadas como mocas e armando-se com machados, preparam-se para avançar. Pholus fica com medo, e Hércules fica sozinho. O herói consegue vencer um grande número de Centauros, e persegue os restantes para a gruta do seu rei, Cheiron. Hércules dispara uma seta a um centauro que estava a fugir (de nome Elatus), mas atravessa o seu braço e acerta Cheiron no seu joelho. Lembra-se que as setas de Hércules estavam todas mergulhadas em veneno? Todas eram fatais, não interessando o tamanho da ferida. Cheiron era um grande amigo de Hércules, o que deixa o nosso herói devastado. Tenta ajudar Cheiron, o que se prova em vão. Acontece que Cheiron era imortal, o que não mata o centauro, apenas a deixa com muita dor que iria durar para sempre. Então desce para as profundezas da sua gruta, gritando em agonia, que ecoava pelas paredes. Eventualmente Prometeus sente pena do rei dos Centauros, e oferece-se para ficar com a imortalidade de Cheiron, se Zeus concordasse. Ele concorda, e a agonia de Cheiron chega ao fim, e Zeus põe o grande rei nos céus. Agora de volta à batalha. O centauro Pholus cuida dos mortos e feridos e pergunta-se como as flechas de Hércules podiam ser tão fatais. Tira uma dum corpo e olha para ela, mas cai-lhe das mãos e acerta-lhe no pé, o que o mata instantaneamente. Hércules sabe do sucedido e volta para enterrar o amigo, na base da montanha que tem o seu nome: Monte Pholoe. Esta região no interior da Península fica ao pé da estrada para Olympia. Agora chama-se Pholois, que é donde as histórias dos centauros originaram. Diz-se que Zeus tinha grande consideração por Pholus, e também o pôs nos céus. Sendo assim, Centauro não representa um centauro, mais dois: Pholus e Cheiron. O facto de dois centauros estarem ligados a esta constelação não é nenhum acidente. O artigo mais antigo existente mostrando o que parece um Centauro é uma peça de joalharia Micénica que mostra dois centauros juntos: metade homens, metade cavalos, de frente um para o outro, dançando, similarmente ao sátires. Estas criaturas também se transformavam em metade homem, metade cabra. Muitos rituais que se conhecem envolviam pessoas mascarando-se destas criaturas, rituais estes que datam até aos tempos Neolíticos.

18.Cassiopéia




Características da constelação:


Proeminente constelação em W ou M perto do pólo celestial norte. É o local de uma supernova observada por Tycho Brahe em 1572, e a mais forte fonte de rádio no céu, uma supernova conhecida como Cassiopeia A.



História da constelação:


Cassiopeia era a mulher de Cefeu, o Rei Etíope de Joppa (agora conhecido como Jaffa, em Israel), e a mãe de Andrómeda. A rainha era linda mas também vaidosa, e a história de como a sua vaidade causou grande angústia é contada com relação à constelação de Andrómeda. Depois de prometer a sua filha em casamento a Perseu, Cassiopeia teve segundos pensamentos. Convenceu um dos filhos de Poseidon, Agenor, para perturbar a cerimónia proclamando Andrómeda para ele. Agenor chegou com um grande exército, e assim começou uma grande batalha. Na batalha Cassiopeia diz-se que Cassiopeia gritou "Perseu deve morrer". De qualquer modo, foi Perseu o vencedor, com a ajuda da cabeça da Górgon. Perseu tinha recentemente chacinado a Medusa, e tinha posto a sua cabeça numa cabeça de coral. Ele retirou a cabeça e agitou-a no meio da batalha do casamento, instantaneamente tornando-os todos em pedra. Nesse grupo estava Cefeu e Cassopeia. Um Poseidon contrito pôs ambos o pai e a mãe nos céus. Mas por causa da vaidade de Cassiopeia, pô-la numa cadeira que revolve o Pólo Norte, e durante metade do tempo, é obrigada a sentar-se de cabeça para baixo.

17.Carena (ou Quilha)



Características da constelação:


Quilha é o lar de Canopus (alpha Carinae), a segunda estrela mais brilhante do céu. O seu nome pensa-se que vem do piloto da frota de navios do Rei Menelaus. Este era o Rei de Esparta que levou os seus habitantes a lutarem por Helena de Tróia; o prémio era Helena em pessoa, que se tornou a sua rainha. De Canopus, o piloto, diz-se que morreu no Egipto depois da queda de Tróia. Canopus - a estrela - era conhecida na Antiguidade como a Estrela de Osíris e adorada em muitas culturas antigas. Esta era a estrela que Posidonius usou em Alexandria, por volta de 260 AC, pois tornou-se a primeira pessoa a calcular um grau da superfície da Terra. Enquanto que é a estrela mais brilhante do Hemisfério Sul, Canopus não é visível para as pessoas a viver a norte da latitude 30. Sendo assim, a Europa a norte de Lisboa não pode ver a estrela, e na América do Norte a estrela é visível apenas aos que vivem a Sul de uma linha desenhada entre São Francisco e Washington D.C., dependendo da topografia local, é claro. Para os habitantes do Hemisfério Sul, Canopus anuncia o começo do Verão, pois culmina a 27 de Dezembro. Canopus é uma supergigante com cerca de 35 vezes o diâmetro do Sol. Anteriormente ao satélite Hiparco, a distância a Canopus era difícil de calcular, com estimativas entre 160 até 1200 anos-luz. O satélite calculou a distância a 313 anos-luz (96 parsecs). A estrela tem uma luminosidade de mais de 12000. Existem umas poucas estrelas de Bayer, pois esta constelação é apenas parte de uma originalmente muito maior. O objecto mais interessante da constelação é Eta Carinae: uma estrela misteriosa que muda a sua magnitude muito irregularmente, de um -0.8 em 1843 até um ténue 7 em meados de 1870. A sua magnitude visual presente é de 6.21. A magnitude absoluta da estrela tem sido difícil de saber. Se utilizarmos a distância de 2000 parsecs, como algumas autoridades dizem, então chegamos a uma magnitude absoluta de -5.3 (e uma distância de 6500 anos-luz). Por outro lado Burnham diz que é -3.3, a uma distância de 2600 anos-luz. A estrela é considerada, ou uma estrela muito jovem, não estando ainda na sequência principal, ou uma muito antiga, aproximando-se do seu fim. Presentemente a segunda teoria parece mais evidente. Quando finalmente morrer, pode criar uma das maiores supernovas já vistas. Eta Carinae é associada com a Nebulosa do Buraco da Fechadura.


História da constelação:

Quando os gémeos Pollux e Castor partiram com Jasão e os restantes Argonautas, eles viajaram no Argo, um navio construído por Argus. Este navio, equipado com 50 remos, onde estavam os 50 melhores homens da Grécia a manejá-los. Navegavam para Colchis, que era a costa Este do Mar Negro. Depois de muitas aventuras Jasão (com a ajuda de Medeia) roubou o Tosão do dragão e navegaram de volta a casa. Diz-se que Atenas comemorou o evento ao pôr o navio, Argo Navis, no céu numa gigante constelação abaixo e a Este de Cão Maior. Sabe-se que o catálogo de Edmund Halley das estrelas do Hemisfério Sul, Catalogus Stellarum Australium (1679), introduziu Argo Navis ao mundo. Em 1763, o trabalho póstumo de Nicolas Louis de Lacaille, Caelum Australe Stelliferum, deu-nos muitas das constelações que agora conhecemos no Hemisfério Sul. Lacaille dividiu o gigante Argo Navis em três constelações: a Quilha, a Popa e a Vela.